Herivelto
nasceu em Rodeio , atual Engenheiro Paulo de Frontin, Rio de Janeiro, em
30/01/1912. Seu pai, agente ferroviário Félix Bueno Martins, apaixonado por
teatro, costumava promover grupos de teatro amador onde envolvia toda a
família; com apenas três anos Herivelto apresentava-se declamando : "Nasci pra
namorar/ Toda moça bonita que eu vejo/ Dá vontade de casar"; e assim por onde
passava devido a seu trabalho, seu Bueno sempre se ocupava com teatro.
Como
gerente de uma barbearia, Herivelto ficou interessado em conhecer os grandes
sambistas do Estácio que viviam no Morro de São Carlos: foi então que
conheceu o compositor Príncipe Pretinho, José Luis da Costa, que lhe abriu a
porta para a carreira artística; nos primeiros anos dos anos 30 casou-se com
Maria Aparecida Pereira
de Mello, com quem teve dois filhos; separaram-se e em 1936 passou a viver
com a cantora Dalva de Oliveira, com quem em 1937 teve um filho, que viria a
ser o cantor Pery Ribeiro.
Estando
certa vez num bilhar observou o barulho dos pardais se recolhendo às árvores
para dormir:sentiu que isso daria samba e compôs os primeiros versos de "Ave
Maria": "Tem alvorada/ tem passarada/ alvorecer/ sinfonia de pardais/
anunciando o anoitecer": entusiasmado com o esboço de samba que acabara de
compor, resolveu mostrá-lo ao compadre Benedito Lacerda; o próprio Herivelto
relatou em depoimento para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 1983:
"Eu me preparei para mostrar ao Benedito e então cantamos eu ao violão e
Dalva com aquela voz bonita crente que estávamos agradando. Terminada a
apresentação, Benedito tirou os óculos, esfregou os olhos e disse: meu
compadre, isso é música de igreja, vamos fazer música para ganhar dinheiro".
Assim começou "Ave Maria no morro" com alguma desilusão; gravada algum tempo
depois pelo Trio de Ouro (Herivelto, Dalva e Nilo Chagas) constituiu-se num
grande sucesso , embora o Cardeal Dom Sebastião Leme tenha considerado a
canção uma heresia e tenha pedido sua proibição, apenas não
concretizada devido às relações de Herivelto com os censores da época.
Herivelto produziu
mais de cem músicas muitas delas de enorme sucesso como "Praça Onze" (Vão
acabar com a Praça Onze...) com Grande Otelo, "Que rei sou eu?" com Waldemar
Ressurreição, "Izaura", "Fala Claudionor", e muitos outros.
Quando se separou de Dalva de Oliveira, em 1947, deu-se uma famosa polêmica
musical, com Herivelto e David Nasser contra Dalva e outros compositores,
com músicas de dor de cotovelo e mágoa em relação à separação : "Cabelos
Brancos" (Não falem dessa mulher/ Perto de mim/Não falem pra não lembrar
minha dor) de Herivelto e David Nasser, "Segredo" de Herivelto e Marino
Pinto (O peixe é pro fundo das redes/Segredo é pra quatro paredes...),
"Caminhemos" (Não eu não posso lembrar que te amei/ Não eu preciso esquecer
que sofri/ Faça de conta que o tempo passou/ E que tudo entre nós
terminou....); por seu lado Dalva mandava seu recado com "Errei Sim" de
Ataulfo Alves (Errei sim manchei o teu nome/ Mas foste tu mesmo o
culpado...), "Tudo Acabado" de J. Piedade (Tudo acabado entre nós/ Já não há
mais nada...).
Herivelto Martins foi personagem muito importante na MPB: além de compositor
emérito, foi o criador do primeiro trio vocal do Brasil, o trio de Ouro em
1937; criou o apito, antes de 1942 utilizado apenas para reunir as escolas
de samba, como um elemento a mais de percussão no samba; foi o compositor
que mais escreveu sambas para a gloriosa Estação Primeira de Mangueira; foi
lider classista dos compositores; enfim foi um bamba. Morreu em 17/09/1992.